Lançado em junho, livro “8.01 – A História Não Contada” traz depoimentos de quem sofreu na pele meses de encarceramento, mesmo sem ter invadido e depredado as sedes dos Três Poderes, em Brasília
Se a ministra Rosa Weber não sentiu qualquer inibição ao comparar de forma desproporcional a depredação das sedes dos Três Poderes ao ataque japonês a Pearl Harbor, na Segunda Guerra Mundial, o atual diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aproveitou a onda estapafúrdia para ligar os lamentáveis incidentes do 8 de Janeiro ao Guinness: The Book of Records – o famoso catálogo que registra as marcas quebradas por atletas, músicos – e agora, agentes públicos.
Sim, o poste do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB-MA), na PF, transpirava orgulho, ao contabilizar o número de prisões realizadas naquele triste dia – e também no dia seguinte. E no outro. Sem data para acabar.
“Já pedi até para minha assessoria contatar o Guinness Book: é a maior prisão da história do mundo. Nós prendemos duas mil pessoas em flagrante. E aí vocês imaginam a logística disso tudo acontecer, sendo que nós tínhamos uma semana da minha gestão”, gabou-se.
Enquanto o cabeça da Polícia Federal comemora a perseguição a idosos, autistas e tias do Zap, um advogado está mais interessado em divulgar outro livro – e que não se orgulhe de retratar nenhum recorde.
O paulista Cláudio Luís Caivano, um advogado pós-graduado em Direito Tributário, atendeu o chamado de sua vocação e decidiu defender o que ele chama de presos políticos – principalmente os detidos no 9 de janeiro, sem sequer ter adentrado a nenhum edifício público.
Mais do que isso, o defensor fez tudo isso pro-bono. De forma gratuita. E ainda arrumou tempo em sua movimentada rotina para escrever “8.01 – A História Não Contada” (Ibesec Editora). Lançado em junho, o livro traz 324 páginas de relatos inéditos sobre 14 presos que receberam a assistência do jurista e autor.
“8.01 – A História Não Contada” surgiu após “declaração lamentável”
Por total e triste coincidência, Cláudio Luís Caivano decidiu escrever sobre o que ele viveu ao lado de mais de 2 mil pessoas, após se constranger com a declaração de um ex-comentarista da Jovem Pan, comparando – assim como Rosa Weber – ao ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941.
“O gatilho aconteceu quando um comentarista afirmou publicamente que o dia 08/01 era o ‘dia da infâmia brasileiro”. Essa equiparação foi uma desonestidade intelectual”, lamenta.
“Eu diria que a infâmia mesmo foi o dia 9 de janeiro, quando essas pessoas foram ilegalmente presas, com uso de perfídia, armadilha e trapaça. Portanto, de maneira infame”, compara o advogado.
Além de colocar no papel tudo o que atravessou no trabalho advocatício, Caivano revela que a base que sustenta “8.01 – A História Não Contada” são os depoimentos de quem esteve atrás das grades injustamente.
“(Para incluir no livro), solicitei aos que quisessem, escrever, de forma anônima, sobre suas experiências. Há o caso de um homem de 38 anos que passou 66 dias preso e perdeu 22 quilos, tendo saído com a coluna travada”, revela Caivano, que garante não ter desistido de fazer justiça, total e plena.
“Lutaremos até o final para que haja anistia através da CPMI. Por isso, desde fevereiro, eu passo três dias por semana em Brasília dialogando com parlamentares”, conclui.
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